Hoje fui a um casamento.
Nada de extraordinário. Apenas dois amigos a celebrar a vida. Mas os casamentos têm esta mania irritante de nos obrigarem a olhar para trás.
Vi pessoas que conheço há décadas. Amigos que já nem sei se são amigos ou família. Vi fotografias mentais de quando éramos mais novos, mais magros e muito mais especialistas em assuntos sobre os quais nada sabíamos.
A noiva é da terra. Da minha terra. Daquelas terras pequenas onde todos se conhecem e onde as memórias parecem ter morada fixa.
E foi estranho perceber que, por um dia, o tempo abrandou. As rugas desapareceram, as responsabilidades ficaram estacionadas lá fora e voltámos todos a ser um pouco aquilo que fomos.
Talvez seja esse o verdadeiro propósito dos casamentos. Não unir duas pessoas. Para isso bastava a conservatória.
Os casamentos servem para nos lembrar quem fomos, quem somos e quem teve a gentileza de continuar por perto.
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